
Por Breno Raigorodsky | Ao sair da dupla Chardonnay e Sauvignon Blanc, nada mais na moda que a Godello, uma cepa espanhola capaz de brilhar novinha e cheia de aromas, mas que mostra ao que veio quando madura, passada em borras finas e/ou madeira.
Brancas são tantas, regiões onde elas se dão especialmente bem, idem. São muitas as uvas que se prestam a viagens enológicas mais complexas, que vão dos grandes e longevos vinhos alemães, passando pelos vinhos de sobremesa, cuja podridão nobre, os transformam em verdadeiras joias da coroa… particularmente os vinhos de Barzac em Bordeaux, e o húngaros Tokaj, seguramente os mais famosos da Europa distante.
O certificador Peñin, listou 11 vinhos brancos do futuro, a maioria delas da Espanha, mas não apenas lá. Eu sou mais generoso – Godello, Verdejo, Albariño, Tempranillo Blanco, Chenin Blanc, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Gris, Viognier, Riesling, Marssane Ugni Blanc (Trebbiano), Rabigato do Douro, Antão Vaz do Alentejo, Palomino do Jerez de La Frontera, Assyrtiko das ilhas grega e tantas outras, como a Malvasia – que passou séculos como a subalterna que amaciava os taninos pontudos do Sangiovese, em mescla nas regiões autorizadas do Chianti – que vamos descobrindo, conforme elas vão sendo melhor tratadas.
Um belo exemplo disso, um case no mundo dos vinhos, é a Torrontés, uva que caiu nas graças dos argentinos, mesmo tendo sido, por anos, colhida sem a desejada maturidade, deixando sempre um gosto selvático no fim do gole. Provavelmente em Salta, provavelmente pelas mãos do Michel Rolland, que produziu seu Yacochuya, abrindo caminho para alguns dos melhores do mundo, como o imperdível (e caríssimo) El Gran Enemigo e o Rio de Los Pajaros Pisano.
A novidade do momento, no entanto, é a Godello, Gouveio ou Verdelho para os portugueses, que está na primeira prateleira do Peñin, desde sempre. Desta cepa, o último que fez estrelas no meu céu da boca, foi o que a Porto a Porto, junto com a Casa Flora traz desde a primeira década do milênio, o Barón di Sil, a R$200,00 a garrafa de 750ml.
Tudo o que você pode pedir de um vinho branco, quando a exigência urge salinidade, mineralidade e elegância, sem rompantes de aroma (o toque de maçã verde, vem sem agredir). Pois aqui, não se trata de contrapor ao pescado grelhado, mas se embeber na composição harmônica entre o sólido e o líquido. Com seus 13% de álcool, com mínimo residual de açúcar, este vinho que vem de Aldeorras, Galicia, só tem o defeito de custar mais do que o comum dos mortais pode pagar!
