
Por Walter Tommasi | José Maria da Fonseca adquiriu a propriedade Cova da Periquita na região de Azeitão, Península de Setúbal, em 1846, fundando a vinícola que produziu o primeiro vinho tinto engarrafado em Portugal já no ano de 1850. Teve como uva básica a Castelão — por muitos chamada de Periquita por conta de seu enorme sucesso.

A vinícola José Maria da Fonseca possui hoje aproximadamente 650 hectares de vinhedos próprios, divididos entre a Península de Setúbal, o Douro e o Alentejo. Hoje em dia, a marca Periquita representa aproximadamente 35% do volume total de vendas da vinícola e é sua maior história de sucesso, com presença em mais de 70 países, sendo o Brasil um dos seus mercados externos mais relevantes. O Periquita Original (o tinto clássico) é o exemplo perfeito de um vinho de entrada e de perfil popular: um vinho “fácil”, tanto no preço quanto no paladar, sendo considerado altamente gastronômico. No almoço de apresentação organizado por sua importadora, a Interfood, contamos com a presença de José Maria Bettencourt, enólogo-chefe da vinícola, que nos detalhou, um a um, os vinhos degustados. Vamos a eles:
Periquita sem Álcool 2024 – Varietal 100% Moscatel Graúdo com 0,5% de álcool, sem passagem por madeira. Palha com reflexos esverdeados. Nariz simples e delicado: pera fresca, menta e floral. Boca refrescante, bem leve e curta, sem tensão. Um produto que difere dos vinhos normais pela falta de estrutura em boca, mas que já começa a ter um mercado entre os jovens que buscam produtos leves e sem álcool. Preço por volta de R$ 80.
Periquita Reserva Branco 2023 – Corte 80% Viognier e 20% Arinto, com 12,6% de álcool e passagem de 6 meses em barricas de carvalho americano. Palha brilhante. Nariz marcado por aromas de damasco, maçã verde, forte presença de cítricos e leve tosta. Na boca, acidez correta, corpo médio, persistência longa e retrogosto lácteo com presença de baunilha mais intensa que no nariz. Vinho fácil de beber e gostar. Preço: R$ 125.
João Pires Rose 2021 – Corte com 50% Moscatel de Setúbal e 50% de Touriga Nacional, com 12% de álcool, sem passagem por madeira. Rosé claro. Mineral, morango, pétalas de rosa e tutti-frutti. Na boca, delicado, com boa acidez, limpo, estruturado e persistência longa. Um vinho gastronômico de bom custo-benefício. Preço: R$ 100.
Periquita 2023 – Corte com Castelão, Trincadeira e Aragonez, com 13% de álcool e passagem de 6 meses por barricas francesas e americanas. Rubi, mais ralo, sem halo. Nariz marcado por frutas vermelhas adocicadas, especiarias doces, ervas aromáticas e leve baunilha. Na boca, acidez média, taninos leves, corpo médio e final de boca com fruta doce. Vinho de entrada para quem gosta de muita fruta. R$ 93.
Periquita Reserva 2023 – Corte com 54% de Castelão, 28% de Touriga Nacional e 18% de Touriga Francesa, com 13% de álcool e passagem de 8 meses em barricas francesas e americanas de primeiro e segundo usos. Rubi violáceo, média concentração, sem halo. No nariz, frutas negras maduras, tabaco, café e violetas. Na boca, boa acidez, taninos resolvidos, corpo médio e retrogosto com framboesa, alcaçuz e tostado. Vinho gostoso, pronto para o consumo; foi meu favorito para ser tomado agora. R$ 125.
Periquita Superyor 2015 – Vinho só elaborado em grandes safras; corte com 95% Castelão, 4% de Cabernet Sauvignon e 1% de Tinta Francisca, com 14,4% de álcool e passagem de 10 meses em barricas novas francesas. Rubi, boa concentração, sem halo. Olfativamente mais austero: violetas, frutas negras, balsâmico, alcaçuz e leve baunilha. Na boca, tripé de acidez, taninos e álcool correto; encorpado, mas elegante. Um vinho complexo, maduro, macio e já pronto para beber, mas com maior potencial de guarda. R$ 882.


