
Espanha – Por Gilvan Passos | Essa é uma história de amizade, da qual subjaz interatividade, convivialidade, respeito, reciprocidade e conectividade, tendo como elemento catalisador, o vinho. Uma imersão enogastronômica e cultural recheada de conhecimento, experimento, entretenimento e relacionamento.
O marco-zero do encontro foi Madrid, de onde partimos para a região vinícola da Rioja Alavesa, localizada ao Norte do Rio Ebro e ao Sul da Serra da Cantábria, na Província de Álava, no País Basco. Ali quedamo-nos por três dias na bucólica cidade de Laguardia, de onde visitamos as Bodegas: Faustino, Ysios e Herdeiros del Riscal, provando do suprassumo vínico riojano e saboreando o melhor da gastronomia basca local, sempre em clima de festa.
No terceiro dia, descemos na direção Sul, para a Ribera del Duero, região à beira do Rio Duero (origem do nome), e fixamo-nos na cidade de Peñafiel, Província de Valadolid, na comunidade autônoma de Castilla y León. Dalí visitamos as Bodegas: Protos e Viña Pedrosa, apreciando o que de melhor a Ribera tem no âmbito do vinho e da gastronomia hispânica.
Durante todo o percurso algumas surpresas pontuais – extraprogramação – elevaram ainda mais a vibração dos participantes, como a aula comparativa entre Jerez Fino (seco e redutivo) e Jerez Pedro Ximenes (doce e oxidativo) no Hotel Silken Vila de Laguardia; a visita em Logroño à Calle de Laurel (inesperada de todos), com seus Pintxos (tapas) Txikitos (copos de vinhos); a presença do enólogo Aurélio García com seus vinhos inusitados (autografados) na nossa confraternização e a visita inesperada a Bodega Réquiem do enólogo e amigo Pablo Miranda, na chegada à Ribera del Duero em Peñafiel.
Como premissa visitamos só uma Bodega por dia, degustamos os vinhos mais singulares e desfrutamos de um farto almoço regado a vinho. Assim damos às pessoas, dos mais distintos lugares do Brasil, a oportunidade de desfrutarem do que o local tem de bom a oferecer. Os almoços variaram da mais alta-gastronomia, como no Restaurante Marques de Riscal, do Chef Francis Paniego (2 estrelas Michelin), a gastronomia raiz como do Restaurante “El Balcon del Duero” do louco e genial Chef Joaquim, onde além de comermos, cantarmos, bebermos bem e tocarmos (ficcionalmente), nos divertimos muito.
Aprendi que a máxima “Vinho só é tudo igual para os indiferentes ao vinho”. de minha autoria, nunca fez tanto sentido quanto na comparação entre estas duas regiões tão semelhantes nas regras e na casta, mas tão distintas no terroir, capaz de gerar vinhos tão díspares. O clima continental extremo da Ribera, com invernos rigorosos e verões quentes e secos, e o baixo rendimento dos seus vinhedos, (3 a 6 mil Kg/ha) da casta Tinto Fino, (Tempranillo na Rioja), associada ao percentual mínimo de 75% exigido pelo Consejo Regulador da região, faz surgir uma cepa de bago pequeno e pele grosa, que gera vinhos corpulentos e negros na cor, mais austeros e longevos que seus congêneres da Rioja.
Para além do vinho, da gastronomia e da cultura local, a Imersão Espanha contemplou a todos nós com novos amigos, bons momentos, experiências inesquecíveis e muito aprendizado pessoal e espiritual, fazendo ver a grande verdade implícita no aforismo do grande Gabriel Garcia Marques, que assevera: “Quando percebi que a única coisa que levamos da vida é aquilo que vivemos, comecei a viver aquilo que quero levar”. Esse foi e será sempre o mantra maior das nossas imersões, alhures, no mundo do vinho, pela vida afora.
