Com a safra 2019, o Eolo Trivento adentra ao “clube dos ícones”

Argentina | Por Regis Gehlen Oliveira | Eolo, vinho top da argentina Trivento, do grupo chileno Concha y Toro, é oriundo de plantas de 1912, de pé franco, à margem do rio Mendoza, em Luján de Cuyo. Segundo o seu enólogo, Germán di Césare, o solo local é formado pela passagem de canais antigos, e a água para os vinhedos é proveniente do rio, alimentado pelo degelo da Cordilheira dos Andes.

A primeira safra do Eolo foi em 2005. Com o objetivo de torná-lo um dos melhores vinhos da Argentina, a partir de 2014 foi implementado um trabalho de pesquisa, com o geofísico Guillermo Corona, que permitiu identificar de forma precisa as diferentes parcelas de solo local, cada qual com camadas distintas de areia, argila, lodo e limo. As diferenças podem significar que a data ideal de colheita das uvas de cada parcela não necessariamente é a mesma, o que pode proporcionar na vinícola, na linha de produção, manejos diversos com cada uma, maximizando os resultados.

Ao longo dos anos algumas plantas dos vinhedos tiveram que ser substituídas, mas foram com a mesma genética original de 1912, com ramos das plantas dessa época. Isso se reflete em uma certa uniformidade de terroir.

Junto com Germán, provamos 3 safras do Eolo. A safra mais recente está com preço sugerido de 1.100 reais a garrafa.

Safra 2005 – Composta 90% por Malbec e 10% Syrah, foi produzido com 70% de carvalho francês novo e 30% de americano de 2o. uso. A intensidade de baunilha no nariz reflete. Tem potencial para evoluir bastante. Apresenta umas pitadas de doçura na boca. 92pt

Safra 2013 – Já sem Syrah, visando expressar a essência local, é 100% Malbec, apenas com barricas francesas com tosta média. No aroma e na boca traz notas de tabaco bem presentes. A sensação é de menos açúcar residual. 93pt

Safra 2019 – Também 100% Malbec, mas com blend das parcelas de solo diferentes, é uma combinação variada de barricas de tosta média de diferentes usos, além de foudres de 3o. uso. A colheita foi feita com as uvas num ponto de menos madurez do que as de anos anteriores. O resultado do trabalho nos vinhedos e de enologia foi ótimo. Com essa safra podemos dizer que o Eolo chega à sua pretensão, que é pertencer ao “clube dos ícones”. 95pt

(Legenda: Enólogo Germán di Césare | Crédito: Vinho&Cia)

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