Pedro Ribeiro lança seu vinho ícone Farol do Bojador

Por Walter Tommasi | Se não me falha a memória, conheci Pedro Ribeiro em 2016, durante a apresentação de seu projeto pessoal, a linha Bojador, organizada por sua antiga importadora no Brasil. Uma nova apresentação ocorreu no ano passado, por ocasião da mudança de importadora para a Grand Cru. Na semana passada, tive o prazer de rever o amigo em uma nova degustação de seus rótulos, acompanhada pelo lançamento do ícone da casa: o Farol do Bojador. Pedro é natural da cidade do Porto, formado em enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e possui uma trajetória consolidada como consultor. Destaca-se, principalmente, por valorizar e reposicionar os vinhos de ânfora, elaborando-os com uvas provenientes de vinhas velhas, especialmente de solos graníticos. Esse foco o levou rapidamente ao reconhecimento como um dos mais premiados produtores de “vinhos de talha”, culminando com sua inclusão na lista dos 10 melhores vinhos de Portugal pela conceituada crítica Jancis Robinson.

O Farol do Bojador 2014 é um field blend de vinhas velhas do Alentejo com mais de 100 anos de idade. As uvas foram colhidas manualmente, com pisa a pé em lagar de pedra e cachos inteiros (incluindo engaços). O estágio ocorreu em barricas francesas de 500 litros por 24 meses, seguidos de mais sete meses em garrafa, com graduação alcoólica de 13,5%. Visualmente, apresenta cor violácea, extra tinto e sem halo. No nariz, nota-se frutas negras, mineralidade marcante (grafite), flores escuras, toque terroso e um tostado delicado. Em boca, revela acidez intensa, taninos finos ainda presentes, corpo médio e persistência longa, confirmando o olfativo no retrogosto. É um vinho complexo, elegante e de textura sedosa, fazendo jus à posição de ícone da casa. Produção anual de 1.600 garrafas. (Preço sugerido: R$ 1.450,00).

Destaques da Degustação:

Bojador Branco 2024: Corte de Antão Vaz, Arinto e Alvarinho (12% de álcool). Passou três meses em contato com as películas, sem passagem por madeira. De cor palha com reflexos esverdeados, traz notas de flores brancas, cereais e toque cítrico mineral. Na boca, apresenta acidez correta, cremosidade e corpo médio, com final remetendo a frutas brancas, como pera. Ótimo custo-benefício. (Preço sugerido: R$ 135).

Bojador Branco de Talha 2022: Corte de Perrum, Roupeiro, Rabo de Ovelha e Manteúdo (11,5% de álcool). Vinificação em talhas de barro sem controle de temperatura e com leveduras indígenas. De cor dourada intensa, apresenta nariz de frutas amarelas maduras, mel e toque terroso. Em boca, exibe alta acidez, leve tanicidade e um final refrescante com certa rusticidade. Um vinho “selvagem”. (Preço sugerido: R$ 297).

Bojador Tinto de Talha 2022: Corte de Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa (13% de álcool). Vinificação tradicional em talhas. Cor rubi tendendo ao granada, com leve halo de evolução. O nariz é marcado por frutas vermelhas e pretas maduras, cereja e toque terroso. Em boca, apresenta ótima acidez e taninos finos que trazem a rusticidade típica do método. Altamente gastronômico. (Preço sugerido: R$ 297).

Bojador Tinto Reserva 2022: Corte de Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Aragonez (14% de álcool). Estagiou em barricas francesas por nove meses, mais dez meses em garrafa. Visual violáceo e extra tinto. Olfativamente frutado (framboesa e cereja), com notas de menta, especiarias e leve toque sanguíneo. Em boca, é estruturado, com acidez alta e taninos levemente adstringentes. Um vinho bem elaborado que pedirá mais tempo de garrafa. (Preço sugerido: R$ 240).

A apresentação foi descontraída e rica em conteúdo, deixando-nos na expectativa pela próxima visita do amigo no próximo ano.

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