Vinhos por aí!

A man with glasses and a mustache examining wine glasses closely in a dimly lit setting.

Por Breno Raigorodsky | Depois da última grande degustação dos Syrahs, andei provando aqui e ali uns outros tantos, que merecem algumas poucas e boas constatações.

Crios, de Susana Balbo, um rosé de Malbec do Valle de Uco, Mendoza. Na safra 2023, ganha uma suavidade no paladar que já se mostra desde o visual. O Malbec está lá, diluído, sem intensidade, preparado para ser tomado em longos goles, apesar dos seus 13% de álcool. Uma delícia, fácil de beber, com frutas, além da groselha, difícil é não gostar. Atenção: os preços de ocasião estão por aí, mas o preço costuma variar também em torno dos R$ 100,00.

Como se poderá ver na compilação capitaneada pelo colega Walter Tommasi, provamos 32 Syrahs, divididos em três grupos de preço, às cegas, como sempre. Do primeiro grupo, até R$ 190,00 no mercado de São Paulo, TH Terroir Hunter, da grande e velha Undurraga. De Limari, recebe todas as influências marítimas que apresenta, com salinidade pronunciada. Como indica o nome, caçador de terrenos, trata-se de um vinho resultado de uma pesquisa por novos terroirs, visto a multiplicidade de solos e climas que se encontra pelo Chile afora. Os 12 meses de maturação em barrica francesa deram um todo complexo, tenso e longo para ele. Do segundo grupo, Gamine – que, em francês de rua, significa uma jovem espirituosa, cheia de vida, malícia e prazer em viver – foi o que melhor me impactou, apesar de sua juventude, mesmo contrariando o que se melhor procura num Syrah do Vale do Rhône – o lado sisudo do vinho, sua austeridade complexa, sua gastronomia, elegância profunda. Do terceiro grupo, com vinhos além dos R$ 280,00, vários receberam a nota de 9,5, mas apenas um superou esta ótima avaliação, um produto em ascensão, o Escorihuela Gascon, produtor que acompanho com respeito há 20 anos ou mais. Syrah da linha Pequeñas Producciones 2022, mostrou-se em evolução, com taninos potentes e grande complexidade. Vai viver muito bem, por uns bons anos para frente.

Antes deles, fui atrás de um Governo Al Uso Toscano e um Morelino di Scansano, raridades entre nós, como raridade são outros que não os Chianti Classici, os Brunelli e os Supertoscani. O Ariete é um vinho moderno, usando apenas 10% de sua uva passita, o que caracteriza o tal Governo Al Uso Toscano, uma técnica regulamentada como Denominação de Origem Controlada, que lembra os Amarone, por deixar as uvas secando inverno afora, para concentrar seu açúcar, antes de fermentar. Belo vinho, coisa fina, como dizer: imagine um Chianti Riserva com um ponto a mais de álcool, um ponto a mais na elegância e também sensação de dulçor, sem, contudo, perder sua essência gastronômica tão característica. Já o Morellino di Scansano do mesmo produtor, em sua versão de entrada, mostra o que se espera dele, tipicidade. Ou seja, imagine a Sangiovese – que, na costa toscana, recebe o nome dialetal de Morellino – com a influência do Tirreno sobre si. Um Chianti particular, um pouco mais frutado, um pouco mais de sapicidade, mais fácil de beber, mais versátil, mesmo quando jovem.

Balade Au Jardin dá spoiler desde o rótulo, que associa seu nome às múltiplas especiarias que se encontram entre o Rhône e os Pirineus do sul da França, exalando jasmim e pétala de rosa. Vinho feito de Grenache Blanc, Marsanne e Vermentino, vem com um nariz campestre e com a boca cheia de frescor e boa acidez. Vinho que passa a vida mostrando que nem tudo é Chardonnay no mundo dos brancos. Custa em torno dos R$ 100,00.

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