
Por Breno Raigorodsky | Comecei a minha vida no tinto Granja União Cabernet Sauvignon, lá pelos idos de 1968, mas, não posso negar os goles que dei no Sangue de Boi de garrafão. Me fiz adulto com os brancos do Lazio e com os tintos e brancos do rio Chianti, Montalcino incluso.
O dinheiro regrava o que bebia, e Montepulciano d’Abruzzo cabia nele, se bem que fiz a besteira de um dia por um Barolo na minha taça, e nunca mais o Montepulciano foi igual.
Da França? Fui criado nas águas claras da Alsácia e no vermelho do Loire, e tive o privilégio ocasional de ter a taça cheia por um Sancerre de qualquer cor. E assim foi, a Europa daqui me frequentou: a Itália, a Espanha, Portugal, a França, a Eslovênia, a Suiça, a Alemanha, por todos os cantos, da Borgonha aos Taurasi, dos Nero Davola, aos Negrette, dos Tempranillo aos Rufete.
A América veio depois, tudo de Mendoza e Salta, mas antes, os inesquecíveis Undurraga em garrafinhas alemãs. Até chegar nos Clos de Apalta foi um longo, longo, longo salto no tempo e na qualidade.
Em 2013, pude conhecer a China e a Índia, vinhos sinceros, rascantes, ainda pouco elaborados. Mas o mundo foi rodando como os Rolling Stones e chegou no outro lado da Europa, que se me apresentou em formatos georgianos, gregorianos, turcos, armênios, moldavos, ucranianos. Antes, bem antes disso, californianos, australianos, tunisinos, argelinos, vinhos da África do Sul.
Pobres são aqueles que bebem vinhos feitos em um só lugar.
