
Por Breno Raigorodsky | Oito degustadores. Mesa redonda. Cinco taças, 10 vinhos: 5 Amarone della Valpolicella e 5 Ripasso della Valpolicella.
A degustação:
No primeiro serviço, nada de comida. Resultado:
Os 4 Amarone ocuparam os 4 primeiros postos; nenhum Ripasso.
No segundo serviço, com a comida servida (um arroz de pato), foram 4 Ripasso e nenhum Amarone. O Ripasso mais caro servido não custava sequer 2/3 do preço do Amarone mais econômico da degustação.
Moral da história: a síndrome do vinho mais caro nem sempre funciona, porque quase sempre é resultado da busca pela excelência enológica, sem se preocupar se o resultado o torna mais gastronômico. O pato e sua gordura, acrescidos do azeite em profusão, típico desse prato português, exigiam certo grau de adstringência, sem um final de boca tão redondo como costumam ser os grandes Amarone.
Eles, pelo excesso de álcool e pela sensação de doçura que deixam na boca, dificultam a harmonia. O Amarone é o típico caso em que o vinho deve dominar a mesa. Melhor apostar em uma comida menos expressiva — quem sabe um delicado risoto feito com o próprio Amarone ou um guisado de carne delicada, como a de cavalo, com polenta, como se come em Verona.
Sugestão: vá de salame, vá de Gorgonzola. Deixe o vinho brilhar!
