
França | Por Regis Gehlen Oliveira – Teoricamente, sim, os vinhos das classificações mais altas da Bourgogne seriam melhores do que os das inferiores, mas fizemos uma degustação às cegas para verificar na prática, sem influências de rótulos.
Na Bourgogne os vinhos são classificados pela qualidade e localização dos respectivos vinhedos. Os Grand Cru são os tops, e representam apenas 2% da área plantada da região. Os 1er Cru vêm em seguida, com cerca de 10% da área. Na sequência estão os Villages, como por exemplo, Vosne-Romanée, Chambolle-Musigny, Mercurey, Fixin, etc., que abrangem aproximadamente 37% da produção. Por fim, os Regionales, como Bourgogne ou Côteaux Bourguignons, que são 51% do total.
O Comitê de Agricultura de Beaune instituiu oficialmente em 1861 as primeiras classificações, que evoluíram ao longo dos anos. No total há hoje mais de 80 denominações de origem distintas, sendo assim a região mais planificada do mundo.
As propriedades são pequenas, com produções reduzidas, ao contrário da também famosa Bordeaux, terra dos grandes Châteaux. Na Bourgogne, em geral os preços acompanham os respectivos graus de classificação, e no Brasil, mesmo de denominação Regionale, não chegam a valores baratos, e são poucas as importações.
A prova
Na prática, para a degustação, foram reunidos dois Grand Cru, três 1er Cru e um Village, todos tintos, na Confraria AWG. Todos os vinhos são produzidos com a mesma uva tinta, a Pinot Noir, que reina absoluta na região. Cinco degustadores provaram todos às cegas, de forma convencional, puros, e depois harmonizados com Beef Bourguignon, prato típico da região. Cada degustador deu a sua ordem de preferência dos vinhos, começando pelo melhor.
Após a apuração das preferências dos degustadores, reveladas as amostras, constatou-se que os dois melhores foram os dois Grand Cru, em seguida os três 1er Cru e em último o Village, ou seja, exatamente como esperado pelas classificações da Bourgogne. A média da mesa foi exatamente a mesma para as provas convencional e harmonizada.
As notas e observações deste editor em relação a cada exemplar foram as seguintes. Os preços apresentados são referentes a safras recentes disponíveis no Brasil ou estimativa de valor para vinho não disponível no país.
| Vinho | Descrição | Avaliação |
![]() Faiveley Chambertin – Clos de Bèze Grand Cru 2008 | Cor levemente alaranjada, aroma de couro intenso, ótimo. Boca com herbáceo fino, muito seco, muito elegante, evoluído, final muito intenso. 97pt. R$5.520 | ![]() |
![]() Moillard-Grivot Échezeaux Grand Cru 2016 | Cor levemente alaranjada, aroma de pão, intenso, elegante. Boca bem seca, fino, acidez perfeita, final intenso, tabaco, pode evoluir muito. 97pt. R$3.400 | ![]() |
![]() Henri Gouges Nuits-St-Georges Les Pruliers 1er Cru 2005 | Cor violácea, aroma muito interessante, boca boa, seco, vinho bem elegante, final empolgante, e excelente na harmonização com Beef Bourguignon. 95pt. R$2.400 | ![]() |
![]() Dominique Laurent Beaune 1er Cru 2019 | Violáceo, couro intenso, leve menta, boca com leve doce, tanino presente mas redondo, leve amargo, leve desequilíbrio. 93pt. R$1.000 | ![]() |
![]() Chassorney Volnay Les Roncerets 1er Cru 2019 | Violáceo, aroma mais fechado, leve couro, boca leve, certo doce, falta um pouco de profundidade para um 1er Cru. 92pt. R$1.200 | ![]() |
![]() Robert Sirugue Vosne-Romanée 2020 | Violáceo, aroma de couro, menta média, boca equilibrada, volume adequado, final gostoso. 92pt. R$1.250 | ![]() |
(Fonte: Vinho&Cia )
(Legenda da imagem: Vinhos da degustação da Confraria AWG| Crédito: Vinho&Cia)










