Provamos 33 estrelas: Espumantes, Champagne, Cava, Crémant…

Por Walter Tommasi – Muita gente acredita que a origem do espumante seja a região de Champagne, mas a verdade é que os primeiros conhecidos foram os Blanquette de Limoux, elaborados em 1531 pelos monges da abadia de Saint-Hillaire, na região do Languedoc. O Blanquette foi produzido pela primeira vez usando o método ancestral, onde a fermentação é interrompida precocemente ainda em tanques abertos, e o vinho passa por uma fermentação secundária na garrafa com temperatura mais alta.

Na citada região de Champagne a produção começou apenas no século XVII, quando o monge Dom Pérignon plantou as primeiras videiras. Foi ele também que teria levado o método de vinificação do Blanquette para Champagne. Mais tarde, em 1772, Madame Clicquot foi responsável pela criação do método Champenoise, que removia as leveduras criadas depois da fermentação secundária que ocorre em garrafa. Como curiosidade, a mais antiga produtora de Champagne foi a Ruinart, fundada em 1729.

Outro método muito utilizado para produzir espumantes é o Charmat, criado em 1895 na Itália por Federico Martinotti, que faz com que os vinhos passem por fermentação secundária em tanques pressurizados, e na sequência por filtração e engarrafamento sob pressão. Mais tarde, em 1907, este método foi aperfeiçoado e patenteado pelo francês Eugène Charmat.

Já no Brasil a história começa em 1913, quando Armando Peterlongo produziu os primeiros espumantes brasileiros pelo método Champenoise.

PROVA

Um panorama de “Espumantes no Mundo” hoje disponíveis no mercado brasileiro está nesta prova que realizamos, certos de que servirá como bom guia na hora das compras para a época de festas, e para o ano todo.

Recebemos 33 exemplares de importadoras e vinícolas parceiras, distribuídas da seguinte forma por país: França 17, Espanha 5, Brasil 4, Portugal 3, Itália 2, Nova Zelândia 1 e Chile 1. Os espumantes foram provados em 3 lotes por faixa de preço: o primeiro com garrafas de R$ 80 a 200, o segundo de R$ 200 a R$400 e o terceiro acima de R$400.

A prova foi realizada em conjunto por Vinho& Cia e o site Tommasi no Vinho. O grupo de degustação foi formado pelos seguintes profissionais: Beto Acherboim (SBAV-SP), José Luiz Pagliari (SBAV-SP), Paulo Sampaio (SBAV-SP), Regis Gehlen Oliveira (Vinho&Cia e Cg10 Canal Gourmet) e Walter Tommasi (Vinho&Cia e Tommasi no Vinho). Os degustadores e Vinho&Cia não tiveram nesta prova qualquer relação comercial com os fornecedores.

CRITÉRIOS DE DEGUSTAÇÃO

A prova ocorreu às cegas, sendo todas as garrafas envoltas em embalagens escuras especialmente criadas para a realização de degustações desse tipo, evitando o reconhecimento dos rótulos e de produtores no momento do serviço do vinho. Contamos com taças especiais para degustação, e os vinhos foram servidos em grupos de quatro exemplares. Os experts convidados utilizaram o critério de avaliação de 100 pontos. Na média das notas, visando evitar distorções, tomamos o cuidado de eliminar a nota mais alta e a mais baixa de cada vinho analisado.

A classificação dos vinhos avaliados segue a tabela seguinte.

RESTAURANTE IMMA, O LOCAL DA PROVA

O restaurante sede da prova, localizado na rua Emanuel Kant, nomeado de Imma, é o apelido desse filósofo alemão. Nasceu de um sonho de vida do chef e proprietário Marcelo Giachini, incentivado por amigos gourmands que o conheciam como o cozinheiro da turma. Paulistano do Tatuapé, teve sua infância marcada por um traço especial na culinária: o sorriso satisfeito de sua tia ao ver a família reunida na mesa para comer sua comida, do que surgiu sua paixão pelo assunto. Porém, seu dom na matemática e a cobrança de uma estabilidade financeira fizeram com que seu primeiro passo, quando jovem, fosse no mundo de outros negócios. Anos mais tarde, em um ato de coragem, inscreveu-se para a Escola Le Cordon Bleu, quando pensou: “Meu sonho é um dia abrir meu próprio restaurante e poder estimular os sentidos das pessoas, tocando seus corações e suas almas através das minhas mãos”.

Com dois anos de existência, o Imma já foi reverenciado por revistas especializadas e conquistou expressivos espaços na mídia. Entre seus pratos principais hoje está o ‘Robalo em Crosta de Bacalhau’, com o peixe envolto em uma crocante combinação de panko e bacalhau seco. Acompanha purê de abóbora e tomate assados no forno à lenha e repolho grelhado. Outro prato é o ‘Arroz de Moqueca’, com arroz bomba cozido no caldo da moqueca, feita com pimentão verde, vermelho e amarelo, cebola confitada, purê de banana, leite coco, azeite dendê e caldo de peixe.

Após a prova de espumantes, os degustadores provaram o ‘Arroz de Rabada’, preparado com o rabo de Wagyu, cozido em temperatura constante por 24 horas, retirado do osso e separado da cartilagem. O rabo é dourado na frigideira, adicionando cebola confitada, tomate concassé e vinho tinto. O arroz bomba é adicionado e cozido no caldo. Finalizado com escarola e toques de vinagre. O resultado é um arroz caldoso e aveludado na boca, preenchido pelo sabor da carne, e a surpresa da escarola que dá um amargor suave e fresco ao prato.

Imma Restaurante
Endereço: R. Emanuel Kant, 58 – Itaim Bibi
São Paulo – SP, CEP 04536-050
Telefone: (11) 3064-6250
https://www.immarestaurante.com.br/

Horário de funcionamento:
• Segunda-feira: Fechado
• Terça-feira à quinta-feira: Almoço das 12h às 15h00/ Jantar das 19h às 23h
• Sexta-feira e sábado: Aberto das 12h às 23h
• Domingo: Almoço das 12h às 17h / Jantar – Fechado

VINHOS ACIMA DE R$ 400,00

PAINEL DE VINHOS DE R$ 200,00 a 400,00

VINHOS DE R$ 80,00 a R$200,00

OS FAVORITOS DE CADA DEGUSTADOR POR PAINEL

QUANDO BEBER?

Para encerrar esta matéria quero relembrar uma frase que diz tudo a respeito de Champagne, criada por Coco Chanel:

Vinho&Cia agradece ao restaurante Imma por sediar a prova e aos fornecedores dos vinhos pelo encaminhamento dos rótulos.

Fotos: Vinho&Cia e Tommasi no Vinho

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