
Por Walter Tommasi | Quando falamos da Rioja, a primeira coisa que nos vem à mente são seus maravilhosos vinhos tintos elaborados com a varietal Tempranillo, que vão desde os mais simples, como cosecha, roble e crianza, aos complexos reserva e gran reserva. Interessante mencionar que a Tempranillo só passou a ser a uva mais plantada na Espanha em 2022, superando a branca Airén, que por muitos anos foi a líder em volume, mas pouco reconhecida no mundo do vinho por ser mais utilizada para a elaboração de brandy. Outras brancas, entretanto, surgem como alternativas para a geração de vinhos de qualidade, como a Garnacha Blanca, Malasia, Viura e Verdejo. Mas na Rioja, definitivamente, a rainha das brancas é a versátil Viura, que se destaca como um testemunho tanto da tradição quanto da inovação, sendo seus vinhos reconhecidos por seu frescor e elegância, indo desde vinhos jovens, frescos, vibrantes e frutados, a exemplares requintados, complexos e austeros, capazes de suportar longa guarda sem perder sua elegância e complexidade. O perfil sensorial da Viura é marcado por sua acidez vibrante, e seus aromas frutados trazem pêssego e damasco, frutas cítricas, como limão e grapefruit, e nuances florais, além de vários terciários quando em contato com as barricas de carvalho americano e francês.

Mas, por que todas essas informações sobre brancos da Rioja? Porque tive uma surpreendente experiência ao degustar vinhos da Vinícola Real, com apresentação feita por Myriam Ruiz, export manager da vinícola, e Marcelo Bernardoni, da Tanyno, importadora exclusiva dos vinhos da vinícola Real no Brasil. No post de hoje, quero dar destaque aos quatro brancos e ao rosé que literalmente me encantaram. A vinícola é relativamente jovem, pois foi fundada em 1992 por Miguel Ángel Rodríguez, mas que, desde o início, teve como foco vinhos de alto padrão.
Conhecendo os cinco vinhos em detalhe:
Cueva del Monge Blanco 2019 – Corte com 70% Viura, 20% Malvasia e 10% Garnacha Blanca, com passagem de 4 a 6 meses por barricas americanas e francesas, com 13,5% de álcool. Palha brilhante. Nariz marcado por aromas florais, cítricos, pera, maçã e leve tosta. Na boca, boa acidez, leve tanicidade, corpo médio, boa persistência, retrogosto com frutas brancas e toque tostado. Um vinho de entrada extremamente agradável. R$ 252
200 Monges Blanco Reserva 2010 – Corte com 90% Viura e 10% Malvasia, com passagem de 18 meses por barricas de primeiro uso americanas e francesas, com 13% de álcool. Palha brilhante, nariz marcado por notas cítricas, torta de maça, pimenta branca, mel, damasco e leve tosta. Na boca, sua acidez estava equilibrada com álcool, estruturado, picante, mas cremoso e definitivamente muito mais jovem do que é. R$ 631
200 Monges Blanco Reserva Seleccion Especial 2010 – Corte com 70% Viura, 20% Malvasia, 5% de Garnacha Blanca e 5% de outras, com passagem de 14 meses em barricas novas de carvalho francês e americano e 24 meses em tanques, com 13% de álcool. Dourado brilhante. Olfativamente complexo, com diversas camadas aromáticas como pêssego, mel, alecrim, flores secas, especiarias e leve toque oxidativo e tostado muito bem integrado. Na boca, alta acidez, vibrante, persistência muito longa, equilibrado, cremoso, com retrogosto trazendo as frutas amarelas maduras, mel e o toque oxidativo. Um vinho soberbo, meu favorito entre os brancos. R$ 890
200 Monges Blanco Gran Reserva 2009 – Varietal 100% Viura, com passagem de 24 meses por barricas de primeiro uso americanas e francesas, com 13% de álcool. Palha indo para dourado brilhante. Frutas amarelas com ligeira evolução, presença de cítricos como limão siciliano, frutas secas, leve químico e tosta bem integrada. Na boca, vigoroso, estruturado, alta acidez, persistência longa, retrogosto maduro com toque salino. Pede mais tempo de garrafa. R$ 900,00
200 Monges Rosado Reserva 2017 – corte com 70% Viura e 30% Garnacha, com passagem de 20 meses por barricas de primeiro uso americanas e francesas, com 12,5% de álcool. Rosé bem claro. Olfativamente, com forte presença de morango, leve toque oxidativo e químico, ervas aromáticas e leve tosta. Na boca, acidez correta, ótima estrutura, encorpado, persistência longa, retrogosto confirmando as frutas vermelhas e o toque oxidativo. Um rosé com grande potencial de guarda. R$ 631
