
Por Walter Tommasi | Recentemente, tive o prazer de participar de um evento de divulgação dos vinhos da Borgonha, organizado pela Experiência de Vinhos da amiga Fernanda Fonseca.
Para a maioria dos especialistas, a Borgonha representa a mais prestigiada origem de vinhos do planeta, ostentando uma complexa legislação estruturada em torno de 84 Appellations d’Origine Contrôlée (AOCs). Destas, destacam-se 33 Grands Crus, 44 denominações Village e 7 denominações regionais.
Seus rótulos incluem o nome da denominação, o produtor e, em alguns casos, o nome do vinhedo.
Em termos de produção, os vinhos brancos correspondem a 61% do volume produzido, enquanto os tintos atingem 27% do total, e os Cremant somam 12%. Importante notar que, por volume, eles têm 4% da participação mundial, mas em valor, alcança surpreendentes 25%. Na data foram degustados 8 vinhos, sendo 4 brancos e 4 tintos, de diferentes climats. Vamos aos destaques da degustação:
OS BRANCOS
Bouzeron 2022 de Jean Baptiste Jessiaume: Elaborado com a variedade Aligoté, esta joia da Appellation Côte Chalonnaise, criada em 1998, provém de apenas 0,4 dos cerca de 47 hectares plantados na região. Apresentou aromas intensos de flores brancas como acácia, pêssego, cítrico doce, maçã e mel. Na boca, revelou-se cremoso e de corpo médio, mantendo um frescor vibrante. Atualmente, sem importador no Brasil.
Saint Romain 2022 de Joseph Drouhin: Elaborado com a variedade Chardonnay da Cote de Beaune. Este vinho reflete a expertise de Drouhin, que possui 7,5 dos aproximadamente 57 hectares cultivados na região. No nariz, aromas marcados de flores brancas, frutas maduras como ameixas amarelas, leve cítrico, gengibre e mel. Na boca, boa acidez, levemente tânico, direto e vivo, com um retrogosto marcado de pedra molhada. Um vinho mais rústico e gastronômico. Importador Mistral.
Montagny 2022 da Millebuis Cave des Vignerons de Buxy: Produzido por esta respeitada cooperativa fundada em 1931, este Chardonnay da Appellation Côte Chalonnaise (criada em 1998) vem de 34 dos cerca de 311 hectares plantados. No nariz, um perfil floral notável, lembrando acácia, pêssego, erva-cidreira e pera cozida. Na boca, mostrou ótima acidez, corpo médio, persistência longa e um final floral com mineralidade e leve toque de baunilha. Sem importador no Brasil.
Viré Clessé Symphonie 2021 da Domaine Condard Perrin: Um Chardonnay da Appellation Village Maconnais, estabelecida em 1999, este exemplar provém de 11 dos aproximadamente 390 hectares da região. O nariz complexo trouxe notas florais, um toque cítrico, pêssego, abacaxi e ervas aromáticas. Na boca, mostrou-se vibrante, potente e com persistência longa e um final arredondado. Um vinho com excelente textura e elegância, eleito o favorito entre os brancos. Importado pela Anima Vinum.
OS TINTOS
Irancy 2022 da Maison de la Chapelle: Este Pinot Noir da Appellation Village Auxerrois, criada em 1999, provém de uma região com cerca de 300 hectares plantados (a proporção da vinícola não foi especificada). No nariz, uma boa complexidade com morango, geleia de cereja, alcaçuz, pimenta-do-reino, cravo e café. Na boca, alta acidez e taninos ainda um tanto verdes, com corpo médio e um final frutado com toque mineral. Um vinho que claramente se beneficiará de mais tempo em garrafa. Importado pela Wines4U.
Aloxe Corton Vieilles Vignes 2022 da Domaine Maillard Péres Or: Produzido com Pinot Noir da Appellation Village Côte de Beaune, este vinho representa 1 dos cerca de 116 hectares plantados na região. O nariz muito complexo revelou frutas frescas como morango, notas florais lembrando jasmim, canela, cogumelo, couro e trufas. Na boca, o equilíbrio perfeito entre acidez, taninos e álcool, resultando em um vinho estruturado, profundo e com longa persistência. O retrogosto frutado com especiarias e baunilha confirmou sua complexidade e cremosidade, sendo o favorito do painel de degustação. Importado pela World Wine.
Mercurey Vignes des Chazeaux Cuvée Suzanne da Domaine Jeanne & François Raquillet: Um Pinot Noir da Appellation Village Côte Chalonnaise, criada em 1923. Este rótulo provém de 14 dos aproximadamente 536 hectares da região. No nariz, destacaram-se frutas vermelhas, especiarias como cravo, tabaco, cacau e nuances terrosas. Na boca, alta acidez e taninos presentes, com corpo médio e um final frutado com toques terciários. Um vinho ainda jovem, que pede mais tempo em garrafa para se desenvolver plenamente. Sem importador no Brasil.
Côte de Nuits Villages Les Combes 2021 de Eduard Delauney: Este Pinot Noir da Appellation Village Côte de Nuits, criada em 1964, é elaborado sem vinhedos próprios (a vinícola trabalha apenas com uvas de terceiros na região de 140 hectares). Olfativamente, apresentou cerejas, cogumelos, “sottobosco” (sub-bosque), especiarias, notas de sangue e tostado. Na boca, alta acidez, taninos ainda rascantes e encorpado, com longa persistência e um retrogosto frutado com maior presença de terciários. Um vinho mais intenso e vibrante. Importado pela Zahil.

