
Por Gilvan Passos | Discordo do ditado irreflexivo e popularmente consagrado que diz que “A ocasião faz o ladrão”. Na minha opinião “a ocasião apenas revela o ladrão”. Mas ao contrário do que penso sobre isso, criei e defendo o ditado que assevera que “A ocasião faz o vinho”, porque acredito que, desconectado das particularidades pessoais e ambientais que compõem a ocasião – e também do seu momento –, mesmo o vinho mais apreciado por você se tornará frustrante.
Assim pensando, e ao contrário do que a maioria dos consumidores pensam, defendo que não é o vinho que dita a ocasião, mas a ocasião que dita o vinho, isto é, o seu gosto pessoal, as suas preferências, não devem se sobrepor às circunstâncias, porque em condições desfavoráveis, o vinho, por melhor que seja, ou que tenha sido um dia, será percebido desagradavelmente, e tudo poderá resultar em frustração, mesmo em se tratando do vinho que você mais ama.
Isso não quer dizer que você deva suprimir o seu gosto pessoal em detrimento do momento, da ocasião. Quer simplesmente dizer que agir com flexibilidade – algo que não só o vinho, mas que a vida também pede – o fará desfrutar mais e melhor da sua bebida, maximizando o prazer da apreciação.
Da mesma forma que não se vai à praia surfar de terno e gravata, e que não se medita ao som de um rock pauleira (heavy metal), não convém que os vinhos estejam dissociados do contexto durante a apreciação.
É justamente por esta razão que eu insisto no vinho como uma bebida plural, para combinar com pratos, pessoas, climas, locais e ocasiões as mais diversas.
A bala de prata para maximizar a experiência sensorial do vinho é a circunstancialização da bebida, que nada mais é do que sua inserção adequada dentro do contexto da apreciação, considerando clima, companhia, gastronomia, nível de formalidade, estado de espírito e predisposição para a apreciação, entre outras coisas.
(Fonte: Vinho&Cia)
(Legenda: Ilustração | Crédito: Pixabay)
