
Por Breno Raigorodsky | A diferença na degustação pode estar simplesmente na mancha de batom na taça, ou seja, nenhuma que diga respeito ao vinho degustado. As linhas divisórias entre o gosto e a degustação estão lá, presentes entre mulheres e homens. Mas reparo sempre, em degustação ou em aula, a desenvoltura que as mulheres têm, quando o aroma é o tema. Ouvir a Jane Pizzato localizando, de forma apurada, os traços aromáticos deste ou daquele vinho, está bem para lá de alguém que fez muito bem a lição de casa. Trata-se de um repertório adquirido muito antes do interesse com o vinho. Quem sabe na cozinha, no hábito de ajudar a mãe às refeições, quem sabe no campo, plantando, cuidando e colhendo as tantas ervas que por lá existiam. Assim, de supetão, não mostro nenhuma diferença no gênero, mas nos costumes que o acompanha. Mas aprofundando um pouco mais, a mulher costuma ser um bicho mais disposta a aprender, a ouvir, e, portanto, tende a ser menos peremptório, mais capaz de mudar de ideia, o que a faz, como no caso de todos que buscam a verdade, mais justa em sua avaliação, porque mais ampla em suas sinceridades. Ou seja, isso aqui é menos uma análise diferencial e muito mais um elogio rasgado às mulheres em geral, não importa se degustando um vinho ou não.
