
Por Luiza Portela | Tive o prazer de acompanhar Didú Russo, um grande amigo e referência no mundo dos vinhos, ao teatro para assistir a peça Memórias do Vinho (Per Bacco) no Teatro Vivo. O convite feito por Didú já prenunciava uma noite incrível, afinal, nada como unir a arte do teatro com a paixão pelos vinhos em companhia de um amigo tão agradável!
A peça, que prometia explorar a relação entre o vinho e as emoções humanas, contou a história de dois personagens que, em meio a garrafas e taças, desvendam suas vidas e seus dilemas. Herson Capri, interpretando um enófilo experiente, trouxe à cena a serenidade e a sabedoria de alguém que entende o vinho como uma metáfora para a vida, a despeito de estar vivendo problemas de saúde. Caio Blat, por sua vez, deu vida a um jovem aprendiz, sedento por conhecimento e experiências.




Apesar da atmosfera envolvente e da boa atuação, alguns detalhes técnicos me incomodaram. Durante a peça, notei que o abridor de vinhos utilizado pelos personagens não era o adequado para as garrafas antigas que estavam sendo abertas. Sabemos que um verdadeiro enófilo, especialmente alguém com a bagagem do personagem de Herson Capri, jamais cometeria esse deslize. A abertura correta de um vinho é quase um ritual, e ver um equipamento inapropriado ser utilizado acabou quebrando um pouco da magia para mim, que sou ligada a esses detalhes.
No meu artigo anterior para o jornal Vinho&Cia, comentei que o filme sobre a Veuve Clicquot deixou a desejar em termos de detalhes técnicos e informações sobre os feitos da célebre Madame Clicquot. Recebi feedback de vários leitores dizendo que, por ser um filme, um romance, eu não deveria esperar esse tipo de conteúdo. Contudo, agora que escrevi sobre a peça de teatro que retrata um enófilo e grande colecionador de vinhos, me vejo diante da mesma questão. Acredito que, em uma obra que se propõe a explorar esse universo, certos detalhes deveriam ser tratados com mais cuidado. Não me considero uma enochata, mas penso que, quando a peça é vendida com a proposta de narrar casos e experiências relacionadas ao vinho, é essencial que essa narrativa seja construída com atenção aos detalhes, respeitando o conhecimento e a paixão dos apreciadores desse mundo.
Outra coisa que acabei de recordar: para aproveitar ainda mais a noite, Didú e eu combinamos de chegar mais cedo ao espetáculo, com a intenção de desfrutar de alguns vinhos antes da peça começar. Porém, outro ponto que nos decepcionou foi a falta de boas opções de vinhos disponíveis. Apenas duas garrafas, um tinto e um branco de qualidade mais simples, eram oferecidas, cada uma rendendo apenas uma taça. Na minha opinião, uma oportunidade perdida. Com patrocinadores que incluíam lojas de vinhos, o evento poderia ter aproveitado para vender e exibir rótulos mais variados e sofisticados, enriquecendo a experiência dos espectadores e promovendo os parceiros.
Ao final do espetáculo, o momento mais divertido e inesperado aconteceu fora do palco. Um grande grupo de mulheres, todas estudiosas de vinho, veio entusiasmadamente abraçar e cumprimentar Didú Russo. Conhecido por seu vasto conhecimento e sucesso no ramo dos vinhos há muitos anos, Didú acabou se tornando a atração principal da noite, recebendo muita atenção e carinho. Foi uma cena encantadora, que mostrou o quanto ele é admirado e respeitado na comunidade do vinho!
Saúde!
