Experiência única de Cos D’Estournel com comida de boteco

São Paulo – SP | Por Walter Tommasi | Recentemente recebi um convite inusitado. A Cos D’Estournel organizou compatibilizações com comidas regionais em alguns países, e no Brasil escolheu sua importadora a Weinhause para organizar e escrever sobre este evento. Olavo, proprietário da importadora honrou a mim e ao Didu Russo para participar desta experiência. O Tema? Cos D’Estournel com comida de boteco. A programação foi a seguinte: Esfihas do Effendi, Pastel do Akagui, Acarajé do Pão de Festa, Carne do Grill MG 74, e Hamburger do Caw Me. Os vinhos escolhidos foram: Cos D’Estournel 2016, Pagodes de Cos 2015, e Cos D’Estournel 2005. Vamos conhecer cada um deles antes de fazer a compatibilização com os alimentos.

Cos d’Estournel Blanc 2016 – Corte com 75% Sauvignon Blanc e 25% Semillon. 12,5 de álcool de safra quente. – Palha claro com reflexos esverdeados, brilhante. Nariz mais agressivo e mais no estilo de um Sauvignon Blanc, trazendo notas herbáceas, casca de limão, maracujá azedo, e toque químico. Na boca estruturado, pontinha de álcool, leve tanicidade, longo, retrogosto mais para o lado herbáceo. Um vinho mais rústico, gastronômico pedindo comida – R$ 3.350,00

Les Pagodes de Cos 2015 – Corte com 46% de Merlot, 44% de Cabernet Sauvignon, 6% de Cabernet Franc, e 6% de Petit Verdot com 3% de álcool, de safra fria. – Granada, média concentração leve halo de evolução. Na boca ameixa, tabaco, especiarias, toque terroso e flores escuras. Na boca Acidez correta taninos sedosos, corpo médio final frutado com terciários bem integrados. Um vinho macio, elegante e muito gastronômico com ótimo custo-benefício R& 1.200,00.

Cos D’Estournel 2005 –Corte com 78 % Cabernet Sauvignon, 19% de Merlot e 3% Cabernet Franc, com 13,5% de álcool, de safra quente. Granada, concentrado, leve halo de evolução. Nariz complexo com diversas camadas iniciando com frutas como ameixa preta, cassis, presença de terciários como couro, tabaco, leve mentolado, chocolate amargo, cogumelos e final terroso. Na boca, acidez pronunciada, taninos finos, seco, ótimo balanço de boca, persistente, retrogosto frutado e tostado. Um vinho complexo, austero, direto, vertical, mas sem perder a macies. R$ 4.500,00

Agora vamos fazer curtos comentários sobre cada um dos locais visitados.

Nossa primeira parada foi na Esfiharia Effendi, localizada na Rua Dom Antônio de Melo, 77 – Luz, fundada em 1973 especializada em comida árabe com destaque para suas Esfihas. Lá, compatibilizamos o Cos D’Estournel branco e o Pagodes com 3 tipos de esfihas: a com Zattar (combinação de manjericão, gergelim, tomilho, sal muito aromática) que andou melhor com o exemplar branco; a seguir a esfiha com queijo e basturma (carne curada bovina típica da Armênia); e a tradicional de carne que combinaram mais com o Pagodes.

Nossa segunda parada foi no Pastel do Akagui, na feira da Vila Noa Conceição, onde degustamos novamente o Cos D’Esournel branco e o Pagodes. Desta vez com pastel de queijo e o tradicional de carne. Aqui também tivemos unanimidade com o branco combinando melhor com o pastel de queijo e o Pagodes com o pastel de carne.

Nossa terceira parada ocorreu no Pão de Festa, localizado na R. Araguari, 84 – Moema, onde a compatibilização foi realizada com dadinhos de tapioca, com molho de pimenta e um acarajé com vatapá . O branco foi perfeito com o dadinho de mandioca, enquanto o Pagodes surpreendeu combinando mais com o acarajé, contra uma expectativa inicial que seria o branco. Aliás para quem gosta de comida baiana este local foi um grande achado.

Nossa 4ª parada foi para o Grill MG 74, localizado na R. Nova Cidade, 349 – Vila Olímpia, inaugurada no meio de 2021 que foca seu negócio na venda de carnes, bebidas e acessórios além do restaurante. Lá provamos 3 pratos a saber: Costela de porco com molho barbecue, que pra mim combinou com o Pagodes; Bombom de cupim que se deu melhor com o Cos D’Estournel 2005; e o Denver (elaborado com acém) que para mim compatibilizou com Pagodes. OBS: Nesta prova tivemos divergência o Didu preferiu a costela e o cupim com o Cos D’Estournel e o Olavo gostou da costela com o Cos e o Cupim com o Pagodes.

Nossa última parada foi no Cow Me Burger e Parrilla, localizado na Rua Apinajés, 1360, Perdizes. Lá a escolha recaiu sobre um Hamburger e um Cheeseburger para que pudéssemos realmente sentir o sabor da carne e o resultado foi muito auspicioso. Para mim mais uma vez o Pagodes reinou absoluto na compatibilização com os dois sanduiches e que bateu com a opinião do Olavo e do Didu.

Gostaria de dar um destaque especial para o Pagodes pela versatilidade com comidas de boteco, mas isto me animou a sugerir novas experiências para os vinhos mais complexos ou estruturados, como por exemplo compatibilizar Cos D’Estournel Branco com pratos elaborados com peixe, frutos do mar, lula, polvo e camarão com temperos brasileiros e do Cos D’Estournel tinto, com pratos típicos brasileiros como feijoada, rabada, leitão à pururuca, virado a paulista, escondidinho de carne seca e outros. Ideia lançada.

Bem, devo dizer que foi uma experiência única, tomando vinhos espetaculares e conhecendo novas alternativas para comer pratos diferentes. Tomando vinho sentado à mesinha da pastelaria da feira é algo que não fazemos todos os dias. Agradeço o gentil convite do Olavo.

(Legenda: Divulgação | Crédito: Tommasi no Vinho)

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