Bela Sintra comemora 19 anos com pratos portugueses e vinhos da Sogrape

São Paulo | Carlos Bettencourt, idealizador e proprietário do Bela Sintra, é a expressão acabada do termo restaurador. Foi o manda chuva da filial paulistana do carioca Antiquarius, reconhecido, à época, como o melhor em matéria de comida portuguesa no Brasil. Por 19 anos, comemorados agora, decidiu abrir o Bela Sintra, em santa e corajosa decisão, logo ali, a um quadrilátero de distância dos grandes da época, como o Fasano, o Chef Rouge, o falecido Marques de Marialva, o Arábia, o Figueira, o extinto Esplanada Grill, o Gero, o Rodeio e tantos outros demônios desta cidade em que não garoa mais, faz um calor insuportável, chove aos cântaros, não se reconhece mais.

O Juscelino fez igual ao sair do Fasano para abrir o seu Piselli, o Alencar saiu do Spaghetti Note e foi tocar o Sto Colomba, o Piero saiu do Gigetto e abriu sua série de Pieros, o Iglesias saiu do falecido Cabana e foi o rei do Rubayat etc. A experiência que trouxeram, serviu de aprendizado aos acertos, à minimização dos erros e aos cuidados de toda ordem.

Para comemorar os 19 anos, o Bela Sintra fez um bem bolado com a importadora Épice e a Sogrape no Brasil, gigante conglomerado português, que tem 1600 hectares de vinha, dos quais quase 1000 desses em Portugal. Fiéis fornecedores do que se serve em um restaurante de classe, de sotaque português, em todos os itens, do mais refrescante branco de entrada ao mais sofisticado Porto de sobremesa.

Para dar boas vindas, começamos os serviços com um Mateus rosé espumante, muito leve e apropriado para abrir a tarde calorenta que nos acolheu. Não conhecia, sequer sabia da existência desta versão borbulhante da marca Mateus, que tanto sucesso fez entre nós em torno dos anos 1960/70. Este é um Brut, feito de Baga e Syrah, atingindo 11,5% de álcool, com 12 g/litro de açúcar, um charmat charmoso, de boa perlage, com cor muito convidativa, com nariz onde se destaca a maçã, com presença de pão
torrado na boca, com final aromático e muito agradável.

Continuamos com um branco alentejano, Herdade dos Grou 2020, mescla de Arinto, Antão Vaz e Gouveio, do alto de seus 13% de volume de álcool, que se deu muito bem com as entradas que nos serviram, particularmente um siri, produto simbiótico entre as culturas de cá e de lá do Atlântico que nos banha.

O tinto foi servido e ficou meio sem jeito entre a posta de bacalhau soberba que funcionou como prato principal, assim como com as frituras que foram servidas em profusão, na primeira parte da refeição. E vejam, não era coisa qualquer, tratava-se de um Rapariga da Quinta Reserva 2020, vinho Alicante Bouchet, Aragonês e Touriga Nacional, 14,5%, com seus 12 meses de guarda em barricas de carvalho francês, bem prestigiado na terrinha e igualmente muito aceito no Bela Sintra.

Mas, à moda daqueles que se importam mais até com o vinho do que com a comida, tratamos de sorvê-lo como merecia, em pausas líquidas para os quitutes sólidos que nos serviam. Muito equilibrado, fácil de beber, regado pela historia do nome… diz-se que, encantado com o sucesso do Periquita, um vinho considerado concorrente, Luiz Duarte queria algo tão brilhante quanto, sem muito se preocupar que seu vinho aqui tinha uma dignidade extra vis-a-vis o exemplar citado. Seu nome não chegava, até que alguém sugeriu Rapariga da Terra… Aí não, não deixaram passar. Mas se a Rapariga passou, foi aprovada. Era preciso localizá-la e ficou a da Quinta, como se esta tivesse uma rapariga exclusiva, toda sua!

Finalmente, para acompanhar os mais finos e deliciosos doces portugueses, um Porto
10 anos Ramos Pinto com uvas exclusivas do Douro Superior, da Quinta de Ervamoira,
que a Sogrape fez questão de nos oferecer como Il Gran Finale.

Fonte: Vinho&Cia
Imagens: Virou Notícia

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